Ambiente e Ecologia (3)

Artigo 14, publicado no Correio da Serra, Santo Antonio do Pinhal, SP, edição de Dez 2006

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Capítulo Três: agora para complementar o tema Ambiente e Ecologia.

Como já dissemos, a vida na Terra começou de forma muito simples e há muito, muuuito tempo.

Ela se organizou (êpa, estou me adiantando!), ou melhor, se estruturou originalmente pela combinação de ingredientes que resultaram num arranjo ligeiramente mais complexo, mas com uma capacidade inédita: a de duplicar-se, reproduzir-se.  Estes arranjos ou células primitivas (proto-células) deram início a um processo que não se interrompeu mais, ganhando sempre mais e mais complexidade e variação.

Em Latim imperial, “organ” significa “instrumento, engenho”, dando origem e significado a termos mais recentes como órgão, organismo, orgânico, organizar.

A evolução (ôps, me adiantei de novo...) daquelas primeiras células criou o que podemos chamar de primeiros organismos sobre a face da Terra.  É claro que isto se deu em meio aquático (sem água, a vida conhecida não é possível), assim como é certo que estes primitivos organismos eram indivíduos de uma só célula (unicelulares).

Mas em algum momento a vida descobriu que certas associações poderiam ser mutuamente vantajosas para os indivíduos unicelulares, o que resultou em um novo salto de qualidade:  células se associaram para formar uma nova entidade, a dos organismos multicelulares.

Os amantes da Biologia, o “estudo da vida”, (“bio”, em Grego, é “vida”) têm um vivo interesse pelos sucessivos níveis de organização que a vida foi desenvolvendo desde seu início.

A Ecologia (como vimos, o “estudo do lugar onde se vive”) interessa-se mais exatamente pelos níveis de organização da vida chamados de organismos, populações, comunidades, ecossistemas e biosfera.

Vimos também, nos artigos anteriores, como isto é fortemente condicionado pelo ambiente.

Recapitulando, vimos a Ecologia como “o estudo científico das interações que determinam a distribuição e abundância dos organismos”, ou seja, o estudo das interações dos organismos com seu meio ambiente, que por sua vez determina a distribuição e abundância, no espaço e no tempo, destes mesmos organismos.

Em níveis crescentes de complexidade, como se ao olhar estivéssemos flutuando para cada vez mais alto, podemos simplificadamente entender que:

- organismo é qualquer sistema biológico funcional, seja o indivíduo unicelular ou multicelular;

- população é um grupo de indivíduos da mesma espécie, que se reproduzem por cruzamentos entre si e que vivem em um local e momento determinados;

- comunidade é o conjunto dinâmico de todas as populações de organismos das espécies que vivem em um determinado local e momento;

- ecossistema é o sistema funcional definido, num local e num momento, pelo conjunto das relações complexas entre os organismos (as comunidades biológicas) e seu meio físico (solo, clima etc);

- biosfera é o conjunto de todos os ecossistemas naturais.  É também entendida como a parte da Terra capaz de sustentar a vida (aquela camada dos fragilíssimos 20 Km que vão desde os 10 Km de altitude até os 10 Km sob o nível do mar).

Como se pode compreender, em cada nível surgem novas propriedades inexistentes nos níveis anteriores e ainda assim qualquer organismo, qualquer indivíduo, pode ser localizado em cada um e em todos estes níveis de organização da vida.

Os naturalistas Charles Darwin (inglês, 1809-1882) e Alfred Wallace (galês, 1823-1913) apresentaram em 1858 a teoria da seleção natural.  Darwin, em 1859, publicou “A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural”.

Desde então nossa visão da vida e do planeta mudaram, para melhor e para sempre, e uma moderna compreensão da Ecologia tornou-se possível.

Conceitos como espécie e população, habitat e nicho, interação entre espécies, comunidades e biodiversidade,  organismos especialistas e generalistas, biomas e ecossistemas, sucessão de espécies, homeostase e resiliência, puderam ser gradativamente construídos como ferramentas para o grande conhecimento do surgimento e da manutenção da vida sobre o nosso planeta.

A compreensão trazida pelo produto dos ousados e persistentes esforços de Darwin e Wallace, a compreensão dos mecanismos da seleção natural e da evolução, tem-nos permitido conhecer não só o nosso passado e o da vida em geral, mas também (re)conhecer nosso presente, nossos desafios e especular sobre os futuros possíveis e as armadilhas a evitar, se a tanto se nos der engenho e arte.

A clássica indagação “quem somos, de onde viemos e para onde vamos” permanece mais válida do que nunca e talvez nunca consigamos respondê-la por completo.  Mas, felizmente, esforços como estes que vimos têm-nos ajudado em muito a avançar.

Um provérbio chinês ensina: "Se você quer conhecer seu passado, olhe sua condição atual.  Se você quer conhecer seu futuro, olhe suas ações atuais."

No próximo capítulo trataremos de ecologia e educação.