Cidades e futuro

Artigo 2, publicado no Correio da Serra, Santo Antonio do Pinhal, SP, edição de Nov/Dez 2005

© 2005-2017 Fabio Ortiz Jr

 

No artigo anterior contrastamos cenas.  Elas retrataram momentos vividos em uma metrópole como São Paulo e também em uma pequena cidade como Santo Antonio do Pinhal, mais de 12 milhões de habitantes numa, pouco mais de 7 mil noutra.

As diferenças podem ser assustadoras para quem deixar uma para viver na outra, qualquer que seja a direção da mudança.

Desde que começaram a ser criadas, há cerca de 10 mil anos, cidades podem ser viáveis apenas quando alcançam um certo número de habitantes; e tornam-se cidades inviáveis a partir de outro número.

Nascer e viver por décadas em uma pode ser fruto do mero acaso e da necessidade, não obstante a profunda afeição; optar e adotar outra, é certamente um caso de amor.

Não importa a cidade em que vivamos:  ali vivem outras pessoas como nós, outras famílias como as nossas, outros grupos de amigos e conhecidos como os nossos e todos fazemos parte dessa comunidade, onde todos precisamos trabalhar e nos educar para a vida.

Não importa a cidade em que vivamos:  ela está numa região onde há ainda outras cidades e as regiões fazem parte de um território maior ainda.

O que diz respeito a uma pode dizer respeito a outras, o que afeta uma pode afetar a todas, basta lembrar o caso dos rios ou do ar, do clima, da economia.

O sentido de todas as reflexões que aqui vierem a ser publicadas é um só e é bastante claro:  criar oportunidades de sensibilização, de conhecimento, de consciência e de mobilização.

A sensibilização, no caso, tratará da busca pelo despertar, o acordar (estarmos de acordo – de coração) para aspectos da vida antes despercebidos.

O conhecimento será uma ferramenta construída em nosso cotidiano, o saber desejado e suficiente (pois não temos a pretensão de esgotar assuntos) para que possamos melhor compreender o que se passa.

Dar-se conta é um gesto de coragem, é a consciência buscada, darmo-nos conta da interdependência que temos uns dos outros e que têm os eventos da natureza entre si, sabendo que dela fazemos parte.

A mobilização necessária, como a do passarinho no incêndio da floresta, é a generosidade que cada um de nós pode cultivar em si.  É o exercício soberano e maduro da responsabilidade; é, no limite, um ato de amor.