Educação e Ambientalismo (1)

Artigo 18, publicado no Correio da Serra, Santo Antonio do Pinhal, SP, edição de Nov 2007

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Capítulo Cinco: tratemos agora de Educação e Ambientalismo.

Concluímos o artigo anterior com a constatação da urgente necessidade de mudarmos nossa maneira de ocupar a Terra e seus vários e maravilhosos recantos.

Aqui “urgente” significa “imediata”, é para e agora, não para amanhã.  Metemo-nos por nossa conta em uma espécie de corrida maluca; teremos que lidar com isto nós mesmos, todos e cada um de nós.  O tempo urge e ruge.

Como é possível modificar nossa relação com o que nos cerca para um modo, digamos, mais saudável?

Penso que só transformamos nossa maneira de ver, nosso sistema de crenças, nossa maneira de agir (v. artigo de Abril/2006), por meio de experiências reveladoras, um salto quântico.

Conhecemos duas maneiras de isto acontecer: como inúmeros pesquisadores já apontaram, sabemos genericamente que o melhor caminho é pela educação; mas há também o caminho da tragédia, do sofrimento.

Como pais e educadores, sempre desejamos que nossos filhos e nossos alunos aprendam pelo caminho mais suave, sempre procuramos “o melhor para eles”; mas existem, é claro, as exceções.

No artigo anterior deixamos a pergunta: apostemos na educação como descolamento à barbárie, sim.  Mas que educação?

Será adequada esta em vigor, que continua a reproduzir os equívocos de sempre, os modos de sempre e seus “aperfeiçoamentos” metodológicos, técnicos, administrativos para que rumemos mais rápida e eficientemente em direção ao nada?

George Bernard Shaw (1856-1950), irlandês, dramaturgo, escritor e pensador, tinha uma frase hilária: “Os seres humanos nascem ignorantes, mas são necessários anos de escolaridade para torná-los realmente estúpidos.

Para onde nos levará um modo de viver (ou seja, um modo de existir, ocupar espaços e estabelecer relações) que parte de princípios como “luta ou

conquista da natureza”, “recursos infindáveis”, “crescimento, acumulação ou enriquecimento ilimitados”, “somos os senhores do planeta”, “levar vantagem”, “fazer antes que outro aproveite”, “quem vier depois que resolva” e outros mais deste gênero?!

Como já vimos, o nosso sistema de crenças dirige a maneira como vemos a nós próprios, os outros, nossas relações com eles e com o entorno, seja físico ou social.

Quando estabelecemos estas relações, criamos também um modo de viver (modus vivendi), uma “filosofia de vida”, uma forma de nos apropriarmos dos recursos de que necessitamos e daquilo que nos cerca, ou seja, determinamos aquilo (as relações) a que chamamos de economia e de política, estejamos ou não conscientes disto.

Neste sentido, o sistema de crenças e a ação conseqüente, as relações estabelecidas, a filosofia de vida, a política, a economia, a educação são aspectos do mesmo problema: nós.

Lembro-me que minha então jovem geração perguntava-se, idealista, ingênua e estarrecida, “mas se o problema está claro e quase todo mundo está infeliz, porque não paramos e mudamos o rumo?”  No entanto, os equívocos prosperaram, pouco mudou, dificuldades agravaram-se.

Como enfrentar os problemas gerados por um modelo esgotado em todos os sentidos, baseado em princípios egocêntricos, de reprodução de erros e de manutenção do status quo, a produzir e aprofundar a alienação, juventude sem perspectiva, vida sem sentido, eterna “luta contra a Natureza”?  Que fazer?

Que significado saudável poderemos dar ao que chamamos de educação senão como uma jornada pelo ou em direção ao conhecimento, trilhando um caminho pela construção deste conhecimento e concebendo-o, afinal, como instrumento para a compreensão e a preservação da vida, realizando mudanças sempre que necessário?

Considerando a educação e os professores como chave para a solução, na próxima edição avançaremos na relação entre Educação e Ambientalismo.