Mudança viária

Artigo 3, publicado no Correio da Serra, Santo Antonio do Pinhal, SP, edição de Dez 2005

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Confesso que no início a idéia não me agradou.  Há tempos a situação em geral já não era boa, o desregramento abundantemente praticado há décadas era muito incômodo.  Na verdade, muito mais do que incômodo, apontava para algo bem mais preocupante:  a derradeira oportunidade de ordenamento para um futuro possivelmente melhor estava sendo rapidamente perdida, desperdiçada.  Não haveria nova chance.

Estava ruim, todos sabiam.  Mas, como é possível para tudo que está ruim, poderia ficar pior.

Lembrei-me de que as cidades podem surgir e se desenvolver de várias formas, mas duas delas sendo bastante claras:  podem brotar da iniciativa e conveniência de grupos de poucas pessoas, sendo assim quase sempre subordinadas a estes interesses (é a maioria dos casos);  mas podem surgir de um planejamento intencional destinado a ocupar certa região, ainda como iniciativa de poucas pessoas, embora com o saudável propósito de bem servir a uma ampla coletividade (esta é a “esmagadora” minoria dos casos).

O fato é que Santo Antonio do Pinhal estava em uma encruzilhada.  Não uma dessas bifurcações físicas, mas sim diante de uma escolha histórica, com todas as conseqüências que, para o bem ou para o mal, daí decorreriam.

Apesar de seus três eixos de ocupação, a concentração populacional e de movimentação da cidade se dá em uma calha que acompanha o Rio da Prata e se distribui ao longo das rodovias SP-46 e SP-50, que nos ligam ao Sul de Minas.  O tráfego, agora intenso e pesado, se espremia pela inevitável calha natural, os incômodos e os problemas se avolumavam.  Que fazer?

As notícias de uma possível mudança viária já me chegavam desde o início da administração anterior e, como já disse, a idéia não me entusiasmava.

Impedir o tráfego?  Absurdo.  Demolir casas e ampliar a avenida?  Impensável, para um município empobrecido e endividado há outras prioridades urgentíssimas a cuidar.

Vi as primeiras providências sendo executadas e continuei cético:  será que farão as mudanças adequadas?  Passei alguns dias ausente, por conta de afazeres profissionais.  Penso que este benéfico acaso fez o seu trabalho:  quando retornei, feliz por voltar ao lar e à cidade amada por adoção, fui premiado com uma imagem e uma percepção novas da cidade, admiráveis.

Na verdade, pela primeira vez, desde a estação até o trevo depois do clube, tive a sensação de entrar e percorrer uma cidade.  Explico melhor:  para inúmeros visitantes com quem conversei nestes anos todos (e até mesmo para mim) Santo Antonio sempre deu a impressão de “uma estrada onde se distribuem algumas casas e comércio”.  Agora, a percepção é de que Santo Antonio do Pinhal é uma cidade onde acontece passar uma estrada.  Antes, como já vi um experiente consultor descrever, “era como um posto de gasolina que cresceu para os lados”.  Agora, é uma cidade buscando (e realizando) um reordenamento para o futuro, para a possibilidade de dias melhores.  Como se diz, mudou o astral e mudou para melhor, muito melhor.

Assim, meus parabéns à cidade, parabéns à comunidade, parabéns à Prefeitura pela coragem em mudar.

Desejo um Feliz Natal a todos, esperanças renovadas para o ano que chega.  Nós brasileiros temos o condão de realizar muito e com muito pouco, apesar das dificuldades.  O mundo está de olho nisso.

Vida longa e próspera a todos.